Henrique Barreto Nunes, Março 2005

Despedida

Tenho 62 anos. Trabalhei 34 anos e oito meses na Universidade do Minho: um ano e meio nos Serviços de Documentação (então instalados no edifício da Biblioteca Pública), um ano na Unidade de Arqueologia (a funcionar no Museu dos Biscaínhos), 32 na Biblioteca Pública de Braga, de que oficialmente fui director de 2000 até hoje. Em Setembro 2006, num momento dramático, a Reitoria pediu-me para também dirigir, provisoriamente, o Arquivo Distrital de Braga. Fiquei até ao fim.

Estou cansado, já não me sinto com capacidade para ser responsável por estas duas prestigiadas instituições culturais, em tempos difíceis, com falta de meios e recursos humanos, (o Arquivo Distrital é o segundo mais importante do país, mas não possui um único técnico superior de arquivo), quase sem apoios – embora deva deixar aqui expressa a minha estima pessoal pelo Professor A. Guimarães Rodrigues e a minha gratidão ao Professor José Viriato Capela.

Na Universidade do Minho pertenci ao Conselho Cultural, presidido pelo inesquecível Professor Lúcio Craveiro da Silva, desde a sua criação em 1986, sendo seu secretário, coordenador editorial da revista “Forum” e membro da comissão organizadora do Prémio Victor de Sá de História Contemporânea. Fui membro da Comissão Instaladora da Casa Museu de Monção. Pertenci, por eleição, ao Senado Universitário e à Assembleia da Universidade, de que fui secretário da Mesa. Pertenci ao colégio eleitoral que elegeu o seu primeiro Reitor e, devido a circunstâncias especiais, presidi à Assembleia que elegeu o actual. Estive na origem do processo que conduziu ao Salvamento de Bracara Augusta, surgido na U.M. em finais de 1975, e fui um dos artífices (quer se queira, quer não) da adesão da U.M. à Rede de Leitura Pública, que acompanhei apaixonadamente de 1960 até às vésperas da inauguração da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. Colaborei em numerosas iniciativas de Escolas, Institutos, Unidades Culturais, Serviços e da Associação Académica.

Vi partir com saudade Carlos Lloyd Braga e J. Barbosa Romero, Egídio Guimarães, Armindo Cardoso e M. Assunção Vasconcelos, Afonso C. Ferreira e Alice Brito, Francisco Botelho e Hélio O. Alves, Victor de Sá e Santos Simões, Lúcio Craveiro da Silva.

Sinto uma imensa tristeza por deixar a Biblioteca Pública de Braga, os meus amigos-companheiros de trabalho, os seus leitores, os livros, a acção cultural que faz parte da minha respiração, da minha vida.

Ainda tinha tanto que fazer…

Braga, Biblioteca Pública, 31 de Julho de 2009

Henrique Barreto Nunes

Convite

Caros Colegas:

O Dr. Henrique Barreto Nunes, bibliotecário, como gosta de se apresentar, é um homem a quem a cultura portuguesa muito deve. Natural de Monção, marcado pelos anos que passou em Coimbra como estudante, director da Biblioteca Pública de Braga e, mais recentemente, também do Arquivo Distrital – duas das Unidades Culturais da Universidade do Minho -, tem sido verdadeiramente fundamental na cultura da região do Minho e, a nível profissional, na acção das bibliotecas públicas em Portugal: a sua empenhada intervenção na ASPA pela defesa do Património, as intervenções na Minia e na Fórum, a orientação para a leitura pública da sua biblioteca, em busca de um sonho que, com outros colegas, começou a definir em 1983, com o Manifesto sobre a Leitura Pública em Portugal, resumem pouco do muito que fez e tem para fazer.

Para os bibliotecários, o Henrique foi sempre um colega criativo, inovador e competente, amável, prestável, amigo, quer como professor de Leitura Pública, quer como orientador de estágios de nóveis bibliotecários, quer como colega experiente, sempre pronto a fornecer, com a humildade que só os grandes possuem, uma opinião, um parecer, uma orientação. Assim aconteceu com tantas bibliotecas e com tantos bibliotecários.

Estar com o Henrique neste “rito de passagem” em que se faz o balanço da obra feita e se projectam novas acções é um gesto que só pode decorrer da própria natureza da vida e da amizade verdadeiramente sentida pelos seus colegas.

Assim, vínhamos convidá-lo a participar num almoço de homenagem e amizade a realizar no próximo dia 6 de Fevereiro, sábado, às 13.00 h, no PORTO, no Palacete Pinto Leite (antigo Conservatório de Música do Porto), Rua da Maternidade, 3-9.

Com os melhores cumprimentos,

António Pina Falcão

Presidente do Conselho Directivo Nacional da BAD

Nota importante:

As inscrições para o Almoço, com o custo de 25 €, deverão ser recebidas na BAD (Rua Morais Soares, nº 43-C 1- Drt – 1900-341 Lisboa), impreterivelmente até 28 de Janeiro, acompanhadas do cheque correspondente, passado à ordem de UNISELF, e referindo o nome do participante, seu endereço electrónico ou contacto telefónico, para possibilitar a confirmação da reserva. Excepcionalmente, poderá ser aceite o pagamento em numerário, até ao dia do Almoço, mas nesse caso sem garantia da reserva e considerando a lotação da sala